
desenho e texto de Laetitia desenho e texto de Laetitia
Escrever é inútil
Escrever é uma roubada
Escrever não dá futuro
Escrever é uma piada
Escrever é um absurdo
Escrever não serve pra nada
Escrever é a vaidade dos vaidosos
Escrever é uma puta velha levantando a saia
Escrever é a mãe do Hitler
Escrever é a Hebe fazendo plástica
Escrever é inútil, isso eu já disse
Escrever não é o albúm do Amar é... é pior, bem pior
Escrever é encher o mundo de chatos amargurados
Escrever é matar a família e nem ir ao cinema
Escrever é uma roubada, parte II, a missão
Escrever é justificar o não fazer nada
Escrever é uma louca na janela com uma zarabatana
Escrever é o plano das ratazanas, mas já roubaram o queijo
Escrever é o truque no discurso dos poderosos
Escrever não é o pedreiro mas dá letra de música do Chico
Escrever é a sombra da dúvida
Escrever é a alma do negócio que não deu certo
Escrever é a salvação da lavoura e a geada no dia seguinte
Escrever é o curso de datilografia e o mercado de trabalho
Escrever é não ter alíbi e ainda assim planejar o crime
Escrever é o brasileiro patriota na fila do SUS
Escrever é o cara letrado chamando o desocupado de mendingo
Escrever é o tom elevado falando da arte e da humildade
Escrever é Jesus Cristinho crucificado: Pai, perdoai-vos... Eles não sabem conjugar o verbo no Vós...
Escrever é Paulo Honório aos 50 e Bentinho aos 55
Escrever é o Mário (conhecem o Mário?): Sou 300; sou 350
Escrever é tirar dez na prova dos nove
Escrever é bom pra Karam
Escrever é a navalha na liga
Escrever é a sessão no antigo Cine São João... se gritar leva pau
Escrever é o cinema que virou bingo e você nem reclamou
Escrever é a distração feita por si mesma
Escrever é a Curitiba perdida e a Lisboa Revisitada
Escrever é o pássaro saindo do espelho dos muros
Escrever éo grafite do Poty na fachada do Guaí
Escrever é uma brasa, mora?, na onda do rádio e no livro fechado
Escrever é fácil quando o dinheiro já está no papo
Escrever é a última gota do xixi: pode ser que não saia nada
Escrever é O cozinheiro das almas do outro mundo
Escrever é a Enciclopédia Balsa que virou Barsa pra vender mais
Escrever é o que dá a ideia nos caras de criar o farenheit 451
Escrever é sobre quem não sabe ler para quem sabe ler
Escrever é limpar o chão com saponáceo
Escrever é ter adoração pelas palavras, inclusive saponáceo
Escrever é Freud alucinado
Escrever é Britney Sprears, sim. Por que não?
Escrever é pra quem tem culhão e pra quem também não
Escrever em Curitiba é sair de casa sem guarda-chuva
E com a cara mais lavada dizer: Eu adoro chuva!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

5 comentários:
expurgai, pai nosso!
giulianoquase.
caralho. caralho.
"...há qualidades que nos vêm unicamente dos julgamentos alheios. Quanto ao escritor, o caso é mais complexo, pois ninguém é obrigado a escolher-se escritor. Assim, na origem está a liberdade: sou escritor em primeiro lugar por meu livre projeto de escrever. Mas de imediato vem o seguinte: eu me torno um homem que os outros homens consideram como escritor, isto é, que deve responder a certa demanda e se vê investido, de bom grado ou à força, de certa função social. Qualquer que seja o papel que ele queira desempenhar, tem de fazê-lo a partir da representação que os outros têm dele... Além disso, o público intervém, com seus costumes, sua visão do mundo, sua concepção da sociedade e da literatura no seio da sociedade; cerca o escritor, investe-o, e suas exigências, imperiosas ou sorrateiras, suas recusas, suas fugas, são os dados de fato a partir dos quais se pode construir uma obra... Assim, cada obra de Wright contém aquilo que Baudelaire teria chamado de 'dupla postulação simultânea': cada palavra remete a dois contextos; a cada frase dois contextos incidem simultaneamente, determinando a incomparável tensão do seu relato" Sartre
"...há qualidades que nos vêm unicamente dos julgamentos alheios. Quanto ao escritor, o caso é mais complexo, pois ninguém é obrigado a escolher-se escritor. Assim, na origem está a liberdade: sou escritor em primeiro lugar por meu livre projeto de escrever. Mas de imediato vem o seguinte: eu me torno um homem que os outros homens consideram como escritor, isto é, que deve responder a certa demanda e se vê investido, de bom grado ou à força, de certa função social. Qualquer que seja o papel que ele queira desempenhar, tem de fazê-lo a partir da representação que os outros têm dele... Além disso, o público intervém, com seus costumes, sua visão do mundo, sua concepção da sociedade e da literatura no seio da sociedade; cerca o escritor, investe-o, e suas exigências, imperiosas ou sorrateiras, suas recusas, suas fugas, são os dados de fato a partir dos quais se pode construir uma obra... Assim, cada obra de Wright contém aquilo que Baudelaire teria chamado de 'dupla postulação simultânea': cada palavra remete a dois contextos; a cada frase dois contextos incidem simultaneamente, determinando a incomparável tensão do seu relato" Sartre
...nossa, o sartre deixou um comentário, tou passada
n.
=D
bjs, Otávio
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