"O ócio, dado a um artista ou a uma pessoa sem pendor para a preguiça patológica (que não dedixa de ser uma forma de incompetência quando significa a improdutividade total em qualquer campo de atividades), é, apesar da extrema diferença que separa os dois grupos, um dispositivo poderoso. O artista, se não tem um emprego, trabalha em sua obra. O incompetente improdutivo produz um discurso vazio enquanto se congratula pela sorte de ter uma mesada ou herança que o mantenha pairando fora da órbita daqueles que necessitam de salários. O ócio e os aplicativos que viabilizam conversas tecladas em tempo real na internet deram aos improtuditos preguiçosos patológicos algo a fazer com todo o seu tempo livre diante da telinha do micro."
Cecília Gianetti
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